Quinta, quarta, terceira..
..vamos pôr isto em ponto morto que o carro chega ao fim da
fila sozinho.
E é assim que começa a azáfama da portagem para a ponte que
um senhor, cujo nome é frequentemente utilizado na minha cozinha aquando a
preparação de um delicioso bolo, decidiu mandar construir.
Primeiramente vem o baixar do volume da música, depois abre-se
a janela do condutor e pede-se aos céus que o carro não vá abaixo cada vez que
tenho de pôr a primeira e andar três milímetros.
(No dia em que me armei em esperta e decidi esperar mais um
pouco para avançar ouvi uma buzinadela do automóvel de trás que até me
estremeceram as cúspides dos terceiro molares superiores.)
A procura exaustiva da carteira no meio de uma mala atafulhada
de coisas e a coordenação dos meus pés nos pedais ao mesmo tempo que calculo o
espaço entre o meu carro e o carro da frente faz os primeiros suores surgir
atrás da minha orelha esquerda que está a ser queimada pelo sol.
Nisto, finalmente chega a minha vez de pagar a módica
quantia de um euro e cinquenta e cinco cêntimos (UMA ROUBALHEIRA!).
Estico a minha mão com as moedinhas contadas trezentas
milhões de vezes e BOM DIA, digo eu toda simpática para o homenzinho trombudo
enfiado lá naquele cubículo. O senhor decide não me responder. Em vez disso, estica o seu braço e num gesto brutesco raspa aquilo que parecem bicos de
tesouras afiadas a rasgar a minha pele e apanha o dinheiro guardado na palma da minha
mão.
E foi neste dia que eu deveria ter dito:
"Senhor portageiro, já cortava a unhaca, não?"
e NISTO...
...FUI!

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