5.5.12

Senhor portageiro...


Quinta, quarta, terceira..
..vamos pôr isto em ponto morto que o carro chega ao fim da fila sozinho. 

E é assim que começa a azáfama da portagem para a ponte que um senhor, cujo nome é frequentemente utilizado na minha cozinha aquando a preparação de um delicioso bolo, decidiu mandar construir.

Primeiramente vem o baixar do volume da música, depois abre-se a janela do condutor e pede-se aos céus que o carro não vá abaixo cada vez que tenho de pôr a primeira e andar três milímetros.

(No dia em que me armei em esperta e decidi esperar mais um pouco para avançar ouvi uma buzinadela do automóvel de trás que até me estremeceram as cúspides dos terceiro molares superiores.)


A procura exaustiva da carteira no meio de uma mala atafulhada de coisas e a coordenação dos meus pés nos pedais ao mesmo tempo que calculo o espaço entre o meu carro e o carro da frente faz os primeiros suores surgir atrás da minha orelha esquerda que está a ser queimada pelo sol.

Nisto, finalmente chega a minha vez de pagar a módica quantia de um euro e cinquenta e cinco cêntimos (UMA ROUBALHEIRA!).

Estico a minha mão com as moedinhas contadas trezentas milhões de vezes e BOM DIA, digo eu toda simpática para o homenzinho trombudo enfiado lá naquele cubículo. O senhor decide não me responder. Em vez disso, estica o seu braço e num gesto brutesco raspa aquilo que parecem bicos de tesouras afiadas a rasgar a minha pele e apanha o dinheiro guardado na palma da minha mão.



 
E foi neste dia que eu deveria ter dito:
"Senhor portageiro, já cortava a unhaca, não?"







e NISTO...

 ...FUI!

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